sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Hino irracional (parte 1)


Ouviram das favelas maltratadas
De um jovem heróico o brado de socorro,
E o sol da liberdade em raios fúlgidos,
Mal brilhou, e o pai trabalha nesse instante.

Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com muitas mortes,
O meu filho? Não é verdade...
Perdi meu mundo, como posso eu tentar ser forte?

Ó pátria armada,
E não letrada,
Salve-me! Salva-me!

Brasil, meu sonho intenso, é ficar vivo
Sem amor nem esperança agente “véve”,
E em teu formoso céu, risonho e límpido,
Os riscos dos traçantes que nos seguem.

Gigante em todos nós era a trsiteza,
Deu óbito, é fato, homicídio doloso,
Inocente no lugar errado, com certeza.

Terra chorada,
Entre outros mil,
Foi tu, meu filho,
O baleado!

Os culpados, ninguém sabe ou viu,
Mátria Marcada,
Brazil!

sábado, 29 de novembro de 2008

Poema para uma amada invisível

Dos cantos dos teus lábios, escorre a melodia-mel que me encanta
Da tua alegria, de quem descobre o mar, ao frio aquece e ao medo espanta

Da tua cor de noite, em luas gêmeas, sobre sorriso cândido disputam o iluminar
De tua voz serena e sem pressa, de um quase sono a me ninar.

Das palavras, tão tuas, mais tão tuas, que já até em mim entoam.
Dos desejos, tão meus, mas tão seus, pois de ti ressoam.

Dos teus vários eus, escolho não um, mas todos, e também meus tantos hei de conhecer
De tão longe te ofereço, um coração que faz poemas pra teu riso o fazer bater.


De todo esse seu todo, que mal o mundo o contém.
De que só adimirar, graça alguma tem.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Arritimia


Poesia de baixa qualidade
É o que faço
Poemas baratos,
Sem sequência de traços

Não respeito nenhuma métrica
Não conheço nenhuma rima
Só repito palvras já ditas
Em retalhos ortográficos

O que eu escrevo desafia a fonética
E destrói a beleza da linguística
Não conheço retórica
E muito menos estílistica

Não alcanço eloqüência
Nem concisão, nem coerência
O que escrevo não obdece a gramática
E foge a todos os temos

Minhas palavras não pertencem ao dicionário
São infinitivamente intransitivas
São sintagmas analfabetos
E se declaram com indescritíveis vícios de linguagem

Mas não sei viver sem te ter
E sou doutor em dizer
Eu Amo Você

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Querem me calar !!!

Vos peço: Não me apaguem os olhos!

Deixem eu gritar tudo que em lágrima venho dizer.

Só mais um berro castanho-escuro,

E pronto, dou um único piscar infinito de último adeus...

e até mais !

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Gato Afrodescendente ; O Multi-vidas do Subúrbio




Sou gato, grato, multi-vidas, muitos vícios, vários vácuos em mim perdidos.
Sou sex-simbol e símbolo de azar, pretinho, básico, de arrasar.

Sou branco de alma, azul de fome-de-saber, rosa quando feminino devo ser.
Sou amarelo, índio, misto, pardo pra valer, mulato claro, moreno escuro,

Caboclo, cafuzo, confuso, sarará, infinito e além, saravá, shalom e amém.
Mas acima de tudo, sou negro, essa é minha cor, já minha raça é gato, por favor.

Sou carioca da gema, hoje sem algema, sou “váriox serex”, assim “mermo”
Sou terra sem lei, sem eira e nem beira, bola de pelo que não segue termo.

Sou músico famoso, cantor de telhado, faço voz e vídeokê.
Sou lúdico e despentelhado, com gaita, sem gata, sei lá o por quê.

Não sou de dormir muito e esclareço pra você
Apenas descanso os olhos, e sonho enquanto isso me proponho a fazer.

Sou livre de corpo e calda, não tenho casa, moro andando.
Aliança não me castra, só amar pra mim já basta, eu me mando.

Sou leve, sou solto, podes crer, perdôo quem me deve, cobro só por prazer
Sou raro, único na verdade, odeio quem muito late, e pouco tem a dizer.

Não morri todas as vezes que posso, mas renasço a cada nova lua cheia
Com ou sem lençol e meia, com veste de lã ou qualquer outro troço.

Sou da favela, do gueto, da falada da noite, do anti-medo, da sacada
Sou do Rio, das minas, de seu São sabe-se lá o que, sei lá.

Sou do Brasil, de Moçambique, Dinamarca, amigo da nobreza.
Sou de Passárgada. Um dia vou-me embora para lá.

Sou eu, sou teu, sou breu de assustar
Sou mel, sou céu, sou noite de luar.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Na Laje


Na laje espero, se os verme brota, não me desespero, meu fuzil eu desemperro.
Já ouvi falar do céu irmão, mas só conheço o inferno de bom.
Não vou pra escola, meu primo foi e hoje pede esmola.
Dizem que não tive infância, mas tenho pó de dois, de cinco e uma substância,
Fumo fedido que tomei hoje no lugar do meu café,
Não tenho fome, nem mais nome, só apelido e um pouco de fé.
Que é o que ainda me deixa de pé, peito de aço,
Pode vir o que vier, se me pagar eu faço.
Nascido e criado na favela, muito conhecida como comunidade,
Pela madame que passeia com sua cadela, e nunca teve aqui de verdade
Que nunca teve que escolher entre marcar hora ou fugir do caveirão,
Pois fica em casa tomando coca-cola e vendo Domingão do Faustão.
Também amo coca e cola, soltar pipa e jogar bola,
Tô na maior marola, então mãe, vê se não me amola,
Um dia largo tudo isso, to decidido, viro médico e deixo de ser bandido.
Mas pra ter um Adidas no pé e um Puma de boné, eu ando com a ralé.
Pra poder ser igual aos play dos bairro nobre, que eu bem sei nunca vão ser pobre
Mas que sangram e choram iguais a mim
Que sou favelado e Afro-descendente,
Com orgulho,
Até o fim.

Soneto em Fuga

Vamos conversar
Embora eu te ame
Comigo você não está

Te tenho aqui dentro, ainda sinto meu gosto
Levo seu nome escrito no meu peito
Para mim você é bela de todo jeito
Longe vejo seu rosto

Escolha a mim
Um pobre poeta
Lugar de lágrimas

Onde estávamos, éramos mais que risonhos
Juntos não temos qualquer segredo
Dormiremos sem ter medo
Acordados contaremos nossos sonhos